terça-feira, agosto 22, 2006
eu gosto das gotas geladas do orvalho no inverno,
eu gosto de deixar os meus olhos se perderem,
de buscar além da paisagem, as sombras turvas
dos que se foram.
gosto das coisas melancólicas
porque me fazem mais doce,
me entorpecem como álcool,
porque me calam das palavras ácidas,
e do gosto malfazejo que sai com as palavras da boca.
quarta-feira, agosto 16, 2006
como quem busca algo na vida
reviro a todo o instante tudo o que tenho.
busco alguma lembrança,
aquilo que não pude transformar em palavras
e que talvez não esteja em lugar algum.
talvez esteja a busca
do que não se tornou material,
do que esteja ainda em sua imaterialidade imperfeita.
eu busco o que sobrou dos nossos sonhos
busco a metade que me cabia de tudo aquilo
reviro as parteleiras com agonia
me volto às gavetas em assalto
o que encontro não passa de pedaços picados de papel.
meu lugar é junto ao que perdi,
a isto que não consigo encontrar,
embora me pertença.
terça-feira, agosto 15, 2006
domingo, agosto 13, 2006
que enfeitam os jardins das alamedas.
a notória e quase redundante cidade
me faz lembra de ti.
nas pedras aredondadas de suas calçadas,
corações asperos e acinzentados
enterram minha alma.
pegadas e marcas de seus caminhos,
lembranças do amor que se equilibrava
com a melancolia.
essa minha dor é quase uma arquitetura,
uma torre que me afasta do mundo.
ela é parte dessa paisagem,
é um edifício igual a qualquer outro,
e que antes era amor.
terça-feira, agosto 08, 2006
atrás de suas sombras
da distância do mundo
que escolhi viver,
seu cheiro chega as minhas narinas,
vejo seus passos,
marcados nesta longa calçada.
sua sombra contrasta
com os matizes da noite e do dia
e eu tento assim mesmo,
atrás de uma sombra,
te buscar.
ainda assim longe eu vejo.
querendo ser sóbrio,
esse cheiro me embriaga.
minhas narinas abastencem
minhas memórias.
ainda sem saber onde estas,
vejo e busco suas sombras.
quinta-feira, julho 13, 2006
segunda-feira, julho 03, 2006
tudo ainda é como antes,
nem mesmo o provisório
ou seus olhares rápidos para meus olhos.
minha situação é insofismável.
tão clara, tão distantes que estas,
as lágrimas nem mais produzem sombras.
o lamentável é ter partido,
me abandonado sem bardo nem lastro.
caminho vago sem esse alento penetrante
de seus olhos.
só espero agora,
que a saudade trucidante te encontre
e te traga ao alto dessa cordilheira
de onde desesperado te observo.
sábado, junho 17, 2006
soturno
eu gosto dessa escuridão fraterna,
esse véu é o invólucro dos meus sonhos.
ela é o fim do dia,
o desfecho de uma contagem
que se inicia todas as manhãs.
a melodia que a acompanha
marca um ritmo lento ao longo do dia.
me recordo ainda de diferentes momentos,
onde sob pouca luz,
me desvainecia em pensamentos.
contudo temo, que esta sensação soturna,
me tome o lugar da alegria
e passe a viver no negro da melancolia .
quarta-feira, junho 14, 2006
duas palavras e um sentimento
Não era qualquer coisa que se podia ler rapidamente, duas ou três palavras marcavam o início e o fim do texto.
A final, não era preciso entender mais do que isso, não podia haver confusões, duas palavras, e um texto enorme entre elas.
correndo meus olhos rapidamente entre o início e o fim, via as palavras desabarem pelo abísmo da página em branco, e na sua fixidez de quem escrevia, era tudo o que queria dizer naquele momento. O interlúdio, esse texto "entre", ao contrário de confudir, demarcava. O amor, sem compostura alguma, abandonava solitário mais um coração.
segunda-feira, junho 12, 2006
sexta-feira, junho 09, 2006
Leve brisa
Chega mais próxima suave leve brisa.
Quem vem com este vento que sopra agradável?
No que vejo e no que sinto há
Um tão afável sentimento.
Teu caminho é inefável.
A curtos passos me leva.
Me leva em uma sutil leveza,
Esbarra nas beiras,
Mete por entre os sentidos.
Conduz-me, mas entre campos,
caminhos e estradas.
Nessa sensação de caminhar incerto
Agarro poucas palavras.
Ponho sentidos sem saber.
No limite de cada campo ou estrada,
Encontro expressões que me fazem entender.
É ela que vem!!!
Leve, a brisa trás folhas, me leva.
Forma sob as lembranças saudades,
Sambaqui de papéis picados,
De memórias e de palavras.
terça-feira, junho 06, 2006

“Os Estados Unidos comprometeram-se a eliminar a tortura no mundo inteiro e travamos esta luta a título de exemplo. Convoco todos os governos a se unirem aos Estados Unidos e à comunidade dos Estados de direito no sentido de proibir, investigar e denunciar quaisquer atos de tortura e impedir outras punições cruéis e desumanas.” (George W. Bush, The Washington Post, 27 de junho de 2003)
http://diplo.uol.com.br/2006-06,a1326
A democracia é pra todos?
quarta-feira, maio 24, 2006
da série: aforismos e fragmentos
o direito ao mau humor é o mais duro e penoso à se reconhecer.
quinta-feira, maio 11, 2006
são tudo o que pode ser apagado,
são tudo o que deixamos por aí,
um pedaço em cada canto,
um fragmento em cada mão,
uma memória esquecida,
um momento vivido,
um dia passado,
uma noite dessas que acabam
depois do sol
lhe querer dar um fim.
somos uns para os outros assim,
fragmentos para serem contados,
lembrados, histórias ou
pedaços de uma memória
esquecidos em um canto
junto com o que quase vivemos.
e isso não esclarece as coisas,
mas quem pode responder
e dizer pelos fragmentos de nós mesmos?
estamos espalhados aos pedaços
e aos cacos por todos os cantos.
somos o vaso dilacerado em cacos.
a ilusão acaba quando o vaso está no chão,
em seus pedaços.
quem somos nós assim aos pedaços?
pequenos pedaços solitários
talhados da vida.
segunda-feira, maio 08, 2006
a morte inconformada
parece pequena e
qualquer dor alheia,
justifica esse exílio.
em meu aspecto mais aparente
a tristeza recolhida
não se deixa transparecer.
pena, pesar.
estou interrompido.
no exílio da torre,
não econtro a dor,
mas não busco também aí a vida.
a tristeza já não me serve,
como não serviria a alegria.
quarta-feira, maio 03, 2006
domingo, abril 30, 2006
Quando terminar tudo, quando essa melancolia acabar, já não serei mais eu e tudo o que eu possa confessar, já não terá mais valor. vou esquecer todas as lembranças e nunca mais haverá saudade. Essa luz que agora fere meus olhos desaparecerá, o turvo das sombras não causará mais medo, mas junto com esse meu antigo Eu, vão os segredos que podia contar, minhas melodias os dias em que não precisava esperar que na manhã seguinte tudo fosse diferente.
quarta-feira, abril 26, 2006
lembranças inúteis,
memórias que devem ser esquecidas.
perfume tolo que ronda
como uma fumaça impregnante
minhas narinas.
quem cuida de minha alma,
e quem exorciza dela essas sombras.
o que convence meus olhos
que esses pequenos pedaços,
antigos pedaços de nós,
devem ser dados ao Hades?
das sombras às sombras,
e dobrado de minha torre
vejo partir.
permaneço nessa vigília imóvel,
vigília de outrem,
quando dessa altura que estou,
não me deixo ser assistido.