Sempre tenho alguma coisa aqui, se não é no papel, no computador, está na cabeça, murmurando. Está sempre incompleto e sempre tem um pedaço que quero escrever depois. Meu braço pesa, minha cabeça pesa, tudo pesa e nada saí, fica preso. Hoje não é o dia do niilista, eu venci esse peso, mas ainda assim, falta um pedaço e sempre vai faltar.
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(sem título)
o que está abandonado?
o que deixei para trás?
minha terra? dúvido.
nunca tive terra, nunca tive lar.
vaguei e busquei por esse lugar
que me fosse próprio.
este ópio,
onde da terra o sangue é feito.
pensei que se não fosse da terra,
seria do que se come e se partilha.
errei por todas as mesas,
e por todas me fiz um pouco de todos,
como se se fez a todos irmão,
saciado, dos irmãos saudades.
terça-feira, novembro 30, 2010
quarta-feira, junho 24, 2009
os perfumes, cheiros e aromas
tem um jeito especial de ser neste mundo,
de nos encantar pelas coisas.
isto que exala, que se emana
como algo mais que coisa,
é quase a coisa mesma
e na tua falta faz a coisa ser você.
o sentir dos cheiros não nos lembra,
mas evoca e traz presente,
propaga e faz presente a própria criatura.
se teu cheiro assim emana,
te alastra pelo mundo,
sem ele ser você ou ele vindo de ti,
por isso esta sempre presente.
entre o que exala, a coisa e o mundo,
não há nada senão a própria coisa sentida,
ou o que emana.
tem um jeito especial de ser neste mundo,
de nos encantar pelas coisas.
isto que exala, que se emana
como algo mais que coisa,
é quase a coisa mesma
e na tua falta faz a coisa ser você.
o sentir dos cheiros não nos lembra,
mas evoca e traz presente,
propaga e faz presente a própria criatura.
se teu cheiro assim emana,
te alastra pelo mundo,
sem ele ser você ou ele vindo de ti,
por isso esta sempre presente.
entre o que exala, a coisa e o mundo,
não há nada senão a própria coisa sentida,
ou o que emana.
domingo, maio 03, 2009
sexta-feira, novembro 14, 2008
quarta-feira, outubro 22, 2008
eu tenho o costume de imaginar
que seremos próximos para sempre
e que o tempo que vivemos
é mesmo um lugare que voltarei
e todas nossas experiências e sensações
vão de novo transbordar
e a saudade irá se transformar,
mas se fosse isso e você estivesse lá,
não poderíamos viver juntos,
jamais como era antes,
além de mim, outros também se foram
e você seria só um vazio ao invés de saudade.
***ainda em construção
que seremos próximos para sempre
e que o tempo que vivemos
é mesmo um lugare que voltarei
e todas nossas experiências e sensações
vão de novo transbordar
e a saudade irá se transformar,
mas se fosse isso e você estivesse lá,
não poderíamos viver juntos,
jamais como era antes,
além de mim, outros também se foram
e você seria só um vazio ao invés de saudade.
***ainda em construção
quinta-feira, maio 01, 2008
Poema escrito nos idos de 2003 sobre as aquelas gavetas fundas onde guardamos pequenos pedaços do que já fomos e onde voltamos para fazer uma arqueologia da saudade, sempre descobrindo que ela é mais profunda do que se possa imaginar e que os pequenos pedaços que se encontra são só vestígios de que se deve continuar a escavar.
SAMBAQUI
segunda-feira, novembro 12, 2007
este poema foi escrito debaixo do temporal e da humidade que atormentava minha cabeça em abril de 2005. Foi realmente um outono molhado aquele.
as pequenas gotas,
que vazam pelas frestas no inverno,
atravessavam cortando
o espaço entre o teto e o chão,
se dobrando entre as prateleiras,
os livros, e os cabides dependurados.
essas frestas no telhado,
dão ao céu,
são caminhos das nuvens
ao chão agora molhado
pelas gotas que atravessam
esse abismo rasgado no telhado.
as pequenas gotas,
que vazam pelas frestas no inverno,
atravessavam cortando
o espaço entre o teto e o chão,
se dobrando entre as prateleiras,
os livros, e os cabides dependurados.
essas frestas no telhado,
dão ao céu,
são caminhos das nuvens
ao chão agora molhado
pelas gotas que atravessam
esse abismo rasgado no telhado.
terça-feira, setembro 25, 2007
sexta-feira, maio 25, 2007
se eu não ler
continuará esquecido,
não saberei que errei.
se não pensar em como poderia ter sido,
não haverá lembranças sobre nós.
não irei a ti para dizer,
te deixo assim então
com a tua irrelutância,
com toda sua alta confiança.
e melhor esquecer.
se soubesse que eram palavras
que te dariam confiança,
teria tirado as de ti.
agora tudo que escreve é sobre ti,
e não há mais nada de nós dois.
continuará esquecido,
não saberei que errei.
se não pensar em como poderia ter sido,
não haverá lembranças sobre nós.
não irei a ti para dizer,
te deixo assim então
com a tua irrelutância,
com toda sua alta confiança.
e melhor esquecer.
se soubesse que eram palavras
que te dariam confiança,
teria tirado as de ti.
agora tudo que escreve é sobre ti,
e não há mais nada de nós dois.
terça-feira, abril 10, 2007
mesmo se tivesse seu compasso.
todas minhas partidas e
todas as minhas distâncias,
caminho ao largo de tudo,
e vou em passos desajeitados.
se me contar assim
que são nesses passos que a vida é feita,
caminhamos desajeitados,
como se tudo passase por belo
seriam sim mais fáceis
as minhas partidas,
minhas distâncias e minhas horas vagas.
mas essas lacunas,
são buracos na melodia.
rompe mesmo a tristeza como una pequeña muerte.
rouba de ti, de mim
e de todos os amantes desastrados desse mundo,
um pequeno pedaço de vida.
todas minhas partidas e
todas as minhas distâncias,
caminho ao largo de tudo,
e vou em passos desajeitados.
se me contar assim
que são nesses passos que a vida é feita,
caminhamos desajeitados,
como se tudo passase por belo
seriam sim mais fáceis
as minhas partidas,
minhas distâncias e minhas horas vagas.
mas essas lacunas,
são buracos na melodia.
rompe mesmo a tristeza como una pequeña muerte.
rouba de ti, de mim
e de todos os amantes desastrados desse mundo,
um pequeno pedaço de vida.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
nem mais uma palavra,
se somos dignos assim
de tanta dor,
não há o que nossos olhos compensem.
o brilho passageiro,
que cala por hora nossa dor,
deixa de sua passagem
as horas marcadas,
um compasso liturgico.
esse nosso rito desprende-nos do mundo,
e dá ritmo ao que sentimos.
se somos assim, de pouco a vida
é um ritmo que se encompassa.
encompassada e entre silêncios,
nossa dor segue entre o que
podemos sentir e os cantos desse culto.
se somos dignos assim
de tanta dor,
não há o que nossos olhos compensem.
o brilho passageiro,
que cala por hora nossa dor,
deixa de sua passagem
as horas marcadas,
um compasso liturgico.
esse nosso rito desprende-nos do mundo,
e dá ritmo ao que sentimos.
se somos assim, de pouco a vida
é um ritmo que se encompassa.
encompassada e entre silêncios,
nossa dor segue entre o que
podemos sentir e os cantos desse culto.
quarta-feira, dezembro 06, 2006
terça-feira, dezembro 05, 2006
não soam tão altos os teus sonhos
como se possa vê-los flutuando sobre sua cabeça
como nuvens coloridas
ou cintilando seus olhos.
não soam tão alto seus desejos,
como não se fixam seus olhos.
não mira suas vontades com tuas mãos,
nem busca o que se pode.
não te buscas alcançar o que não tem,
e só se vive,
e se vive assim como um qualquer,
quando um sonhardor é feito de desejos e paixões.
a quanto tempo já não sonha?
a quanto tempo o desejo
já não cobre esses seus ohos.
esse seu desejo opaco
e os olhos entre-abertos,
revelam mais um homem cansado.
como se possa vê-los flutuando sobre sua cabeça
como nuvens coloridas
ou cintilando seus olhos.
não soam tão alto seus desejos,
como não se fixam seus olhos.
não mira suas vontades com tuas mãos,
nem busca o que se pode.
não te buscas alcançar o que não tem,
e só se vive,
e se vive assim como um qualquer,
quando um sonhardor é feito de desejos e paixões.
a quanto tempo já não sonha?
a quanto tempo o desejo
já não cobre esses seus ohos.
esse seu desejo opaco
e os olhos entre-abertos,
revelam mais um homem cansado.
quarta-feira, novembro 29, 2006
do sonhador
é remota a dor do sonhador
que sonha sozinho
e sozinho vive no mundo dos sonhos.
é distante sua alma,
que não encontra outra alma,
senão no sonho,
onde sua alma já não é sua.
que sonha sozinho
e sozinho vive no mundo dos sonhos.
é distante sua alma,
que não encontra outra alma,
senão no sonho,
onde sua alma já não é sua.
queria tanto te amar
e me derreter em seu corpo.
correr por ti como uma gota,
de lágrima ou suor, não importa.
queria ao mesmo tempo,
ser este seu suspiro que tarda passar
e gracejar em seu corpo como ar.
pudera eu assim me transfomar,
te alçar a alegria,
te deixar solta e te deixar amar.
mas entre nós corre descabida a tristeza.
pulsam as lágrimas sem destino,
sem deixar espaço para este amor.
e me derreter em seu corpo.
correr por ti como uma gota,
de lágrima ou suor, não importa.
queria ao mesmo tempo,
ser este seu suspiro que tarda passar
e gracejar em seu corpo como ar.
pudera eu assim me transfomar,
te alçar a alegria,
te deixar solta e te deixar amar.
mas entre nós corre descabida a tristeza.
pulsam as lágrimas sem destino,
sem deixar espaço para este amor.
quinta-feira, novembro 23, 2006
terça-feira, novembro 14, 2006
sábado, outubro 28, 2006
sexta-feira, outubro 27, 2006
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